No varejo contemporâneo, a última milha deixou de ser um mero desafio logístico para se tornar o epicentro da fidelização do cliente e da saúde financeira das operações. Com o e-commerce brasileiro projetado para movimentar US$ 29,5 bilhões até 2030, a pergunta que os líderes do setor devem se fazer não é mais apenas “como entregar”, mas como proteger essa jornada de forma inteligente e rentável.
Historicamente, o seguro foi percebido pelo varejista como um “mal necessário”: uma despesa fixa, burocrática e dissociada da agilidade exigida pela economia digital. Contudo, a maturidade do mercado e a ascensão do seguro embarcado (embedded insurance) estão subvertendo essa lógica, convertendo a proteção em uma ferramenta estratégica de inteligência de negócios.
O desafio é escalar com eficiência. O volume de usuários de delivery no Brasil deve saltar de 63 milhões para 90,5 milhões em apenas três anos, exigindo uma infraestrutura de proteção que acompanhe esse ritmo sem inflar os custos fixos.
O grande gargalo do last mile sempre foi a ineficiência. Pagar por apólices estáticas enquanto o volume de pedidos oscila é, na prática, queimar margem de lucro. A solução para esse dilema reside na tecnologia de baixa fricção.
Através de APIs integradas diretamente aos sistemas de gestão (TMS), hoje é viável operar no modelo “on-off”. Nele, a proteção é ativada no milissegundo em que a mercadoria inicia o trânsito e encerrada no instante do checkpoint final. Essa precisão cirúrgica elimina o desperdício com coberturas ociosas e transforma o que era custo operacional em vantagem competitiva. Destaca-se a redução do Custo de Aquisição de Clientes (CAC) com o aumento de permanência em tela engajamento e fidelização; o aumento do Valor do Tempo de Vida (LTV- Lifetime Value), ou seja a receita total ou o lucro líquido que o cliente gera para a empresa , bem como mais engajamento e fidelização; 3) Maior tração de vendas (15%) do produto principal do parceiro ao embarcar a proteção ao seu produto, aumentando a percepção de valor dos embarcadores e consumidores finais.
Em uma operação que lida com milhões de transações, não há espaço para processos analógicos. No varejo de alta frequência, a agilidade na resolução de sinistros é o que sustenta a reputação da marca e a continuidade do negócio.
Hoje, a Inteligência Artificial já processa automaticamente mais de 50% da documentação de sinistros. Ao cruzarmos dados de telemetria em tempo real com modelos preditivos, não estamos apenas combatendo fraudes, mas assegurando que o ecossistema financeiro do varejista não sofra interrupções de fluxo de caixa diante de imprevistos.
Mais do que redesenhar a lógica do seguro o novo modelo possibilita a redução do Custo de Aquisição de Clientes (CAC) com o aumento de permanência em tela, engajamento e fidelização bem como o aumento do Valor do Tempo de Vida (LTV- Lifetime Value), ou seja a lucro líquido que o cliente gera para a empresa. ) Maior tração de vendas (15%) do produto principal do parceiro ao embarcar a proteção ao seu produto, aumentando a percepção de valor dos embarcadores e consumidores finais
Há que se considerar ainda o fator humano nesta operação. Para além da carga, o entregador é o ativo mais crítico e sensível da última milha. Em um setor marcado pela alta rotatividade, a segurança jurídica e o bem-estar do profissional autônomo tornaram-se ativos estratégicos.
Dados de mercado indicam que o engajamento dos entregadores cresce 15% quando a plataforma oferece proteção contra acidentes e garantia de renda. No fim do dia, o profissional prioriza o ecossistema que lhe oferece segurança. Para o varejista, essa percepção de valor se traduz em menor rotatividade de parceiros, maior produtividade nas rotas e uma operação juridicamente mais sustentável.
O seguro contemporâneo não é mais um contrato estático esquecido em uma gaveta. Trata-se de um código integrado ao sistema de gestão. Ele blinda, simultaneamente, a mercadoria, a sustentabilidade financeira do motorista e a experiência final do consumidor.
Em um setor de margens estreitas e onde a agilidade é a moeda de troca, ignorar o potencial do seguro como vetor de receita incremental é um anacronismo estratégico. O varejo que liderará a próxima década é aquele que compreende que a proteção digital e dinâmica não é um freio, mas o acelerador definitivo para o crescimento sustentável.
Por Rodrigo Ventura CEO da 88i Seguradora Digital